As regras, as histórias e a importância dos companheiros de estrada.

As entrevistas e a sabedoria dos que vieram antes de mim mudaram muito do que sei e do que sou.

Cola na grade Padawan, tem muita coisa pra você saber.





De todas as coisas que eu já fiz em relação a este projeto, uma delas eu acabei fazendo sem querer, me deu uma recompensa muito grande e hoje, sabendo para que ela serve, eu vou continuar fazendo, sem sombra de dúvida.

As entrevistas com outros criadores de jogos.

Sem nenhuma exceção, todos os criadores de jogos que foram entrevistados para o Teia de jogos foram incrivelmente receptivos e colaborativos, oferecendo uma visão sobre a criação de jogos que eu, na minha inocência de novato, não tinha.


Além disso, ao ter estas pessoas no facebook, você acaba sabendo e vendo coisas que muitas vezes acabam gerando insights dentro da minha cabeça, tão cheia com as coisas do trabalho e da vida.
A ideia deste post foi iniciada por um Post do Tiago Junges, designer do Coisinha Verde e criados do excelente Malleus. A frase dita foi esta:

"As regras de um jogo falam mais com o jogador, do que o autor com suas palavras." 

Isto foi especialmente tocante para alguém desenvolvendo um manual de jogo e me levou a uma série de correlações, que eu vou dividir com vocês hoje.

A necessidade da fantasia e o tabuleiro nosso de cada dia.

Nós humanos precisamos de histórias, de mitos. Não sou eu dizendo, é o Jung, o Campbell.

Joguinho de trilha da jornada do herói do DunLevy

Independente do tempo, elas sempre existiram, e a mídia usada por elas vai mudando com as necessidades e com os interesses do público. Seguindo esse raciocínio, junto com a frase do Tiago e as minhas experiências como contador de histórias nas mais variadas mídias, percebi, com felicidade e satisfação, que estava escrevendo uma história interativa quando crio um jogo de tabuleiro.

De uma forma diferente, já que esta história não tem, necessariamente, um herói. Afinal, temos jogos abstratos, sem personagem e nem história, onde não existe dragão para matar ou barris de milho para embarcar. Algo, porém, se mantém em todas estas questões, o esqueleto mais básico da história.

O desafio, o objetivo que deve ser alcançado, apesar das dificuldades. E as regras para que ele seja cumprido a contento.
Mice and Mystics, um dos meus favoritos com uma bela história


Se pensarmos em mitologia e lendas do mesmo calibre, veremos várias regras para que os desafios sejam vencidos, e as consequências de quando elas são vencidas. Algumas vezes, a quebra das regras ou o castigo por elas é usado para explicar fatos naturais, como o castigo de Perséfone.

Quando criamos jogos, estamos criando pequenos mundos fora da realidade, onde as coisas acontecem da forma que definimos, e os vencedores são eleitos por estas regras. É um entretenimento tão poderoso porque, da mesma forma que as boas histórias, os bons jogos te sugam para dentro destes mundos paralelos.
 

Como escritor de fantasia, sei que o veneno para uma história é a falta de credibilidade. Se uma história for fantasiosa a ponto de você não conseguir criar nenhum correlato com a realidade, você simplesmente perde o interesse por ela. Da mesma forma acontece com as histórias (sim Carlos, tivemos esse papo hoje).
histórias e jogos mal feitos dão nisso aí


Por estas e outras eu amo a aventura que escolhi viver em paralelo ao meu trabalho, de criar jogos e deixá-los disponíveis, confiando que as pessoas vão nos ajudar, além de escrever este blog.


As entrevistas e a sabedoria dos que vieram antes de mim mudaram muito do que sei e do que sou. Cola na grade Padawan, tem muita coisa p...

0 comentários: