O lore de Machina: Simulacro de Guerra


Porque tudo tem de ter uma história e essa é a do Machina.
foto original: Lewis Hine  Edição: Ana Cláudia Oshiro Tromba






Decidi que o post de hoje será algo diferente, eu quero usar este espaço para também apresentar a ambientação onde Machina: Simulacro de Guerra, está inserido.

Não sei se comentei, mas o jogo está inserido dentro de um mundo de forma diferente. Ao contrário do que geralmente se faz, onde você assume o papel de uma pessoa dentro do mundo quando joga um jogo, eu preferi criar uma linguagem diferente, onde o jogo existe dentro de um cenário, e ele é trazido do cenário até vocês.

Simplificando ao máximo (e evitando spoilers do conto que estará junto com o manual do jogo), posso dizer que o jogo é um simulador de guerra usado pela Escola Militar de Cidade Alta, uma Cidade-Nação, denominação usada pelos pequenos países formados dentro do continente Atlântia, existente em uma versão do nosso planeta, situado a meio caminho entre a Europa, a América e a África, como um substituto a uma Oceania inexistente.

De colonização Portuguesa, Cidade Alta conseguiu sua independência juntamente com as outras Cidades Nação do Continente, em uma guerra que durou cerca de dez anos. Após esta guerra, seguiu-se outra, de fronteiras entre as Cidades-Nação, que durou mais cinco anos, aproximadamente. Algo muito interessante é que, em meio a esta segunda Guerra de Atlântia, nasceu uma revolução tecnológica sem precedentes, que trouxe as máquinas à Vapor para o mundo, muito antes do que aconteceu na nossa Revolução Industrial.

Por ter sido a precursora desta revolução, Cidade Alta recebeu uma quantidade gigantesca de imigrantes, que foram prontamente acolhidos nas fábricas, que nasciam como mágica por toda a parte externa da cidade, onde os operários logo se assentaram, em vilas humildes, mas, pelo menos no início, decentes.
As histórias que contaremos nos livros e contos acontecem algum tempo depois destes fatos, quando uma terceira Guerra, sendo ela agora civil, ameaça a vida "pacífica" desta Cidade Nação.

Para que você entenda do que estamos falando, Segue um trecho do Conto "Fuligem e Sangue", de minha autoria, que foi a pedra inicial deste mundo, que se torna maior a cada dia.

 "O apito da tecelagem do lado de casa me acorda como de costume. Não me incomodo em comprar um destes novos relógios despertadores de corda, pois o primeiro grupo de mulheres chega para operar os teares semi-automáticos as seis, exatamente a hora em que preciso acordar para chegar as sete na fábrica.

         As pedras da rua ainda estão molhadas da garoa fina que insiste em cair neste início de manhã, coloco meu boné e caminho até o trabalho.

          Lembro-me da minha infância enquanto ando, lembro-me de ir com meu pai até a guilda dos sapateiros da cidade, naquela época ainda uma instituição decente, onde homens de verdade podiam sentar-se e negociar trabalhos em conjunto de maneira justa e lucrativa para todos. Lembro-me do meu pai me ensinando o ofício, desde como cortar o couro corretamente, como tirar as medidas de pés e vários outros segredos que haviam feito dele um dos sapateiros mais proeminentes da região.

          Hoje a repugnante máquina a vapor faz quase todo o serviço sozinha, uma prensa molda um par de sapatos em segundos, sem cuidado, sem querer saber dos calos do infeliz que vai ser obrigado a comprar seus sapatos por uma numeração, porque agora eles são feitos em padrões e não personalizados. No mesmo movimento o engenho dos infernos cola o corpo de couro na sola, fazendo em menos e um minuto uma cópia fajuta do que meu pai demorava às vezes um dia inteiro para produzir.

  Passo praticamente o dia inteiro ao lado de uma máquina que pode me matar a qualquer momento de desatenção, além disso, o ambiente de trabalho lembra muito o Inferno de Dante: caldeiras em chamas, vapor opressivo e tóxico, gritos e gemidos dos acidentes diários. Fora que o capataz é feio como um demônio e tenho certeza que ele adoraria nos chicotear para que trabalhássemos mais rápido."

Todo o feedback é mais que bem vindo!


Porque tudo tem de ter uma história e essa é a do Machina. foto original: Lewis Hine  Edição: Ana Cláudia Oshiro Tromba

2 comentários:

  1. Gostei da ambientação. Acho que vc já construiu seu próprio mundo de maneira interessante, cuidado apenas para não ser engolido pelas suas próprias idéias. Um bom jogo a despeito do universo/mitologia que ele está inserido ainda deve ser um bom jogo independente de seu lore, com uma proposta bem definida amarrada por boas mecânicas e o mesmo vale para livros, filmes e séries... mas acho q vc sabe disso bem melhor q eu. Parabéns!!!!

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    1. Muito obrigado pela confiança e pelo carinho. A vantagem, nesse caso, é que o Lore parece tão rico, pq é um livro no qual eu venho trabalhando a mais de um ano, beeem antes de eu conhecer os boards e ainda mais de pensar em criá-los. As mecãnicas ainda precisam de um refino antes da versão final, mas já estão bem dentro daquilo que eu quero.
      Valeu pela confiança cara

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