A brigada de São Marcos: os 4 Anjos



O grande problema com histórias de guerra é que elas são contadas pro quem sobreviveu, e quem volta vivo de uma guerra como a Guerra dos espólios geralmente não é mais tão senhor de si.
Dos cronistas de guerra que temos atualmente, os que falam da brigada de São Marcos são os menos dignos de confiança, já que, além de serem muito reticentes a levar “peso morto” em suas campanhas, a maioria dos soldados destes grupos de guerrilha eram analfabetos, o que diminuí ainda mais a quantidade de documentos liberados.





Felizmente, um destacamento em especial produziu uma quantidade considerável de documentação. Os chamados 4 Anjos, pela grande ironia de seus nomes serem todos relacionados a anjos, tinham em Manuel dos Anjos seu escriba e sargento de campo.

Aqui segue uma das primeiras comunicações entre o sargento e o segundo Tenente Fausto Teixeira, apelidado de “Diabo” por seu cabelo e seus modos.


Conforme pedido, envio relatório do comportamento do destacamento 4 anjos, enviado à fronteira entre Cidade Alta e Nova Galícia para missões de sabotagem e assassinato, que serão futuramente endereçadas a esta base, cujo endereço segue no envelope, usando o código Agostiniano.

Ao chegarmos à província de Fortuna sem identificação de nossa procedência, fomos recebidos com grande desconfiança pela comunidade local, como esperado. Conseguimos quartos em uma taberna na saída oeste da província, tranquila e de fácil acesso à estrada para Nova Galícia.

Como era de se esperar, alguns bandoleiros atacam as províncias de forma errática, tentando arrancar o pouco que este povo sofrido consegue tirar da terra e do comércio que a estrada traz. Conforme planejado, usamos esta chance para ganhar a simpatia dos locais.

Gabriel e Serafim são cruéis e sem honra, mas ainda conseguem se comunicar dentro do campo de batalha, ajudando-se no objetivo de destruir o inimigo. Miguel, além de ser o mais veloz de nós 4, é totalmente imprevisível quando se empenha em destruir alguém. Cego e surdo de raiva, ele parecia carregar a fúria de Deus dentro de seu peito, e a soltava de forma quase descontrolada contra seus adversários, escolhidos totalmente ao acaso. Mantive-me em posição de atirador estático, usando minha mira para ferir um deles, para futuro interrogatório.

Muito me espantei ao saber que não se tratavam de Neogalicianos e sim de nossos próprios compatriotas, que decidiram aproveitar o caos da guerra para fazer fortuna.

Isto ocorreu no segundo dia de nossa estada, um pouco mais de 4 dias, acredito, do recebimento desta comunicação.

 Gabriel, que sempre tem uma boa ideia quando o assunto é explorar os menos favorecidos, teve a ideia de reunirmos o povo da província, nos dissemos desertores do exército e cobramos uma pequena taxa para manter a pequena província em segurança. Concordei com isto por ser uma realidade muito mais comum do que acreditávamos ao partir e desta forma, não chamamos a atenção.

Sairemos para o cumprimento da nossa primeira missão na região dentro de dez dias, conforme planejado. Pelo que soubemos dos locais, as incursões de tropas Neogalicianas, em busca de saque dentro do nosso território, são raras, mas acontecem. Abateremos qualquer grupo de neogalicianos que tiver o azar de cruzar com os 4 anjos.

Aguardo novas ordens.

Sgt. Manuel dos Anjos.

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