Meus 20 Centavos: Porque devemos para de chamar os jogos por Euro e Ameritrash?








Hoje estreamos um novo tipo de matéria aqui no Teia de jogos que se faz necessária. Meus 20 centavos vai trazer sempre minhas opiniões e impressões sobre os mais variados tipos de assuntos relacionados ao mercado. Sem a pretensão de ser a verdade escrita em pedra. Apenas um ponto de vista, baseado no que eu vi, vivi e joguei. Pode ser que futuramente em mude de opinião e, se for o caso, eu coloco outra opinião diferente aqui no blog. Isso não é inconsistência, e sim evolução.


Agora ao assunto.

Porque Euro e Ameritrash são divisões ruins para mim, especialmente para quem está começando a desenvolver?
Ih, tem meeple? Não gosto...
 Existem alguns motivos, e eu vou enumerá-los, primeiro os mais incômodos e depois os mais interessantes e desafiadores para desenvolvedores (e jogadores):

1     1.Alimenta um elitismo bobo, que é um tremendo desserviço ao Hobby.

Não adianta teimar, o fato de chamar um tipo de jogo de lixo (Ameritrash) dá uma sensação de superioridade à outra parte. Ainda mais quando você soma isto a jogos que exigem um pensamento analítico e matemático considerável e têm uma curva de aprendizado extensa. Pronto, você tem todos os elementos para alimentar comportamentos elitistas.

Venha Cubinho, não se misture com essas miniaturas!
Como em todos os conflitos deste tipo, a resposta geralmente não demora, o pessoal dos jogos chamados “Ameritrash” não são exatamente muito melhores quando começam a falar sobre a falta de elementos gráficos e a aparência desagradável de muitos euros.
Não é toa que é tão feia, o tema é colado com cuspe!

 Conclusão: nenhum dos dois lados é “santo”. Demonizar a pessoa que pensa diferente de você e prefere outro tipo de jogo ou menosprezar o gosto de outra pessoa (ou até pior, cuspir no tabuleiro que já te divertiu) é, além de incoerente, uma péssima atitude para se ter em um jogo social. Os jogos de tabuleiros são movidos pelo desejo de estar com pessoas, e não apesar das pessoas.  Se essas barreiras caíssem e as pessoas se permitissem experiências diferentes, sem preconceitos de ser euro ou Ameritrash, teríamos muito mais sucesso em montar mesas de jogos.

2. Cria barreiras para novos jogadores e experiências
Não são todos os ambientes de jogo que são assim, mas em alguns lugares e momentos sempre rola um juízo sobre a última compra da pessoa ou o desejo de comprar determinado jogo.

 Eu mesmo, admito, tive preconceitos com jogos de ficar prestando atenção no que as pessoas diziam, e muitas vezes sem nem ter jogado o jogo direito (krosmaster sempre me fascinou e eu demorei muito para começar porque todo mundo dizia que era “pay to win” e que tinha mecânicas ruins. Hoje eu sou um dos maiores defensores do jogo, que para mim cumpre seu papel com perfeição). 
Não pago para ganhar e não é pior porque é bonitinho!

Na verdade isso é também uma dica para todos nós: não reproduza para alguém interessado no jogo o motivo pelo qual você não o quer como se fosse uma verdade absoluta. (Eu acho Pandemic Legacy um jogo desnecessário para mim, pois acabei de comprar o pandemic normal e não tenho grupo fixo).
Dê uma chance a um jogo, mesmo que ele seja do “outro lado da fronteira” antes de dar um veredito.
3 
           3.Faz com que desenvolvedores (e os jogadores) fiquem ”preguiçosos”.

Isso vai soar profundamente sacrílego, mas eu realmente acredito nisso. Desenvolvedores de jogos são profissionais, que entregam produtos. As editoras, especialmente as fora do Brasil, já tem uma boa ideia do que o “público” quer, e os estereótipos de Euro e Ameritrash podem ser réguas, mas acabam se tornando também desculpas para trabalhos entregues pela metade.

A reclamação mais comum sobre uma ameritrasher é que eles têm, em sua maioria, dependência excessiva de sorte e mecânicas pouco desenvolvidas, já que a estrela do rolê é o tema, que deve ser muito bem desenvolvido e muitas vezes é adaptação de outra mídia. Os desenvolvedores de Ameritrash conhecem menos mecânicas do que os de euro? Não, eles só não precisam usá-las, porque não se espera isso de um ameritrasher. “Ahn, bota um roll and move com uns actions points e um baralho de qualquer besteira e tá tudo certo. É o tema que vai vender!”
Os temas “colados com cuspe” do euro? Mesma coisa!

Quando mostrarmos, como consumidores, para as editoras que não vamos mais aceitar jogos “pela metade”, a distância de um euro para um Ameritrash vai cair cada vez mais até não existir mais.
Como eu disse, posso estar errado e ter deixado um monte de coisas de lado, mas acho que o diálogo a este respeito precisa ser mantido, e estes são meus 20 centavos a respeito do tema.

Hoje estreamos um novo tipo de matéria aqui no Teia de jogos que se faz necessária. Meus 20 centavos vai trazer sempre minhas opin...

2 comentários:

  1. descordo totalmente, principalmente a parte em que krosmaster eh um bom jogo, eh horrível!

    divisões são necessárias, elitismo eh consequência, problema das pessoas que se acham superiores aos outros

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    1. Primeiramente obrigado por se importar com meu texto à ponto de expressar sua discordância. Acontece que ser elitista é mais ou menos como estar morto: Você não sente nada, são os outros que sofrem.
      Quanto a você achar krosmaster um jogo horrível, pode ter acontecido de você ter esperado outra coisa dele, exatamente porque não haviam informações a respeito, porque gostamos de ser rasos e simplistas ao falar dos jogos.
      As divisões existem, com certeza, mas uma classificação do jogo por peso e por mecânica principal é muito mais eficiente do que "Euro" e "ameritrash".
      Agradeço de novo a visita e, exatamente por discordamos, adoraria conversar mais com você.

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