A fábrica (ou um dia no inferno): Conto do Machina: Simulacro de Guerra

22:32:00 , , , 0 Comentários



Já havia mostrado a vocês um conto sobre Caio Cruz (esse aqui), e decidi que hoje, como falaremos mais das fábricas e da tecnologia de Atlântica, vamos mostrar um aspecto um tanto cruel desta tecnologia que levou a uma curiosa situação.


Este é um trecho do diário dele, que ele escreveu durante um tempo quando não havia muito mais que ele podia fazer a não ser deixar sua história por escrito. O curioso aqui é que, apesar de estar à frente do período de guerra retratado pelo Machina, a história deste rapaz e do Simulador acabam se cruzando algumas vezes.
 
“Se existe um tempo do qual eu não me orgulho não é o tempo que eu estou entre os Chaves Azuis, e sim o tempo em que eu acreditava, piamente, que a vida dentro da Sapataria Nacional. Acreditar que duas pessoas perderem os membros no mesmo dia era falta de sorte e rezar, sim, admito que rezei, que algum acidente acontecesse com o capataz do meu setor, para que eu pudesse ficar com o emprego dele.
Acho, na verdade tenho quase certeza, que o fato de ter todos os meus membros depois daquele tempo é graças à habilidade que sempre tive me manter alerta, mesmo com sono, e aos meus reflexos. Sempre fui rápido e ágil quando criança e muitas vezes desejei me alistar na guarda imperial. Meu pai, sempre calado e sisudo, com seu jeito de poucas palavras, me dizia sempre que eu comentava com ele. “você vai ser um sapateiro como eu, prefiro você batendo na cabeça de pregos no que nas dos sues camaradas”.

Mal sabia o quando meu pai era sábio com essas palavras.

Lembro-me dessas palavras bem demais pelo simples motivo de meu pai ter morrido nas mãos dos mesmos Guardas Imperiais, sob a acusação de resistência à prisão por alta traição. Coincidente depois dele e seus amigos da Guilda dos Artesãos ter feito seu protesto, fechando o portão do Muro por duas horas inteiras e impedindo que as mercadorias entrassem em Cidade Alta.
Eu tinha 7 ou 8 anos quando isto ocorria.

Eu precisei ajudar meus irmãos a sustentarem a casa, meus 3 irmãos, os três perdidos para as fábricas, para o porto, para as brigas infinitas que instalaram em Cidade Baixa, onde ladrões sem uma mão fazem estrago com facões enfiados nos cotocos e um pedaço de pão ou uma moeda valem mais do que a vida.
Quando eu destruí a prensa da sapataria Nacional e pude, no meio do dia, tomar uma cerveja no Bar do Muro, descobri o que era liberdade e finalmente entendi que a vida podia ser melhor do que era."


Já havia mostrado a vocês um conto sobre Caio Cruz ( esse aqui ), e decidi que hoje, como falaremos mais das fábricas e da tecnologia d...

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