Diário do Designer: Versus - Parte 1


Bom, no meu primeiro post aqui blog falei um pouco sobre minha iniciação no mundo dos boardgames, meus primeiros passos como designer, sobre a fusão dos studios e também pincelei algo sobre meu card game de luta, chamado até o momento de “Versus”. E o post de hoje é justamente pra falar sobre ele.

No fim de 2014 eu comecei a trabalhar em um jogo de cartas. A ideia era fazer um jogo de luta e seguindo a premissa da extinta Minimalogic (marca que criei para rotular meus jogos): deveria ser um jogo com visual e jogabilidade minimalista, fácil e rápido de aprender e jogar.

A primeira ideia que tive foi reaproveitar a dinâmica do “pedra-papel-tesoura”, pois num jogo de luta de videogame, jogadores casuais tendem a realizar golpes aleatórios um contra o outro. Então criei um deck compartilhado, onde os jogadores selecionavam suas cartas em conjuntos de três e comparavam suas sequências de ações (no jogo, chamada de “Combo”).

Havia cartas de ataque (Chutes e Socos, com valores de dano variando entre 1, 2 e 3), defesa (Bloqueio e Contra-Ataque) e uma carta chamada Carregar, que permitia aumentar a quantidade de cartas do Combo. Assim, por exemplo, se um jogador usava uma carta de defesa contra um chute, ele defendia o ataque e evitava levar dano. O jogador que recebe 10 pontos de dano primeiro é derrotado.

Cartas de ataque (Chutes e Socos), defesa (Bloquear e Contra-Atacar) e Carregar

Na primeira versão do jogo, também havia 10 cartas de lutadores. A ideia foi usar uma arte “chapada”, com cores fortes e lembrando personagens famosos do mundo dos games. Cada lutador possuía um bônus, onde uma determinada ação jogada na posição correta causava mais dano. Além disso, cada personagem possuía um Combo específico, que ao ser completado ativava uma habilidade especial.

Exemplo de cartas de lutadores. A cada versão do protótipo, o jogador passou a ter mais controle sobre a sorte.

Essa versão do jogo foi criada em cerca de três dias. Depois de algumas partidas solo, e um mínimo de balanceamento, comecei a mostrar pra outras pessoas. A primeira que jogou e testou comigo foi minha irmã, Sara. Ela, inacreditavelmente, gostou. Foram várias partidas seguidas e ali eu já estava muito feliz por ter conseguido criar algo divertido, embora muito simples. :)

Alguns meses depois comecei a participar de eventos de boardgame e RPG: a Dungeon Capixaba, na Serra (ES), e o RPG na Ilha, em Vitória, onde conheci gente muito bacana. De cara, recebi elogios pelo meu jogo, no momento intitulado como “Versus”. Houve também algumas críticas, claro (já estava preparado pra isso), como o fato de ser totalmente dependente de sorte. Mas saí de lá extremamente feliz e satisfeito.







De volta à prancheta, fiz um upgrade no jogo, acrescentando mais habilidades, para dar ao jogador uma sensação de controle maior. Alguns eventos depois - um mais proveitoso que o outro -, reformulei novamente as regras, adicionando um novo tipo de carta ao deck (ação de Agarrar, que permitia anular cartas de defesa), criei mais 10 lutadores distintos e ainda mais habilidades, dessa vez usadas apenas em um “modo avançado”. Sem deixar a casualidade de lado, aumentei o nível de estratégia pouco a pouco, até chegar bem perto do que ele é hoje.

Mas os detalhes do final dessa história você fica sabendo no próximo post, onde vou falar também de algumas decisões importantes que tomei ao longo do desenvolvimento do jogo. E até lá acredito que vou poder liberar algumas informações bacanas... Já adiantando algo: ele não se chamará mais Versus (vou explicar os motivos) e haverá uma forma de você conferir de perto como é o jogo… ;)

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Bom, no meu primeiro post aqui blog falei um pouco sobre minha iniciação no mundo dos boardgames, meus primeiros passos como designer, so...

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