Game design: afinal, por que criamos jogos?



Com mais uma meta batida do nosso financiamento coletivo no Padrim, nós iremos cumprir a nossa promessa: passaremos a postar sobre game design, tentando seguir uma frequência semanal sobre o assunto. 

Para o primeiro assunto decidimos falar de algo que eu quase nunca ouço falar, mas que é excepcionalmente importante, pelo menos para mim, dentro do ambiente de criação de jogos.
Os motivos pelos quais muitos decidem criar jogos, e porque alguns tentam fazer isso profissionalmente.

Vou falar da minha experiência com isso e porque eu decidi desenvolver jogos e como a minha personalidade afeta as minhas criações, além da minha vivência com eles.

Os motivos são uma pergunta indispensável

Quando você começa a fazer alguma coisa, qualquer coisa, é indispensável saber os motivos e os objetivos do que você está fazendo, pois sem isso suas ações podem ir para outro caminho e todo o seu esforço pode ir por água abaixo.

Se você é tão apaixonado por uma ideia que não quer sacrificá-la por nada, pense que é possível que este jogo não seja exatamente um sucesso comercial. Se você quer realmente viver disso, considere às concessões que terá de fazer. Viro um autor que vende jogos para as editoras ou abro a minha editora? Parto para alguma alternativa? Crio em PNP?

Nesse caso, não existem respostas certas ou erradas, existe você alcançando seu objetivo ou não, e ficando satisfeito com o que conseguiu. Muitas pessoas ficam felizes simplesmente por ter feito um jogo, outras pensam o game design como negócio e mais gente ainda não é tão extremo, pensando no meio termo entre isso.

Antes de apresentar os meus motivos para ter começo com a criação de jogos, eu digo a vocês: descobrir qual o seu caminho, sua motivação e seus objetivos ao desenvolver jogos é a jornada que todo o desenvolvedor precisa fazer.

Jogos para todos: o motivo do Teia de Jogos existir

Isso é algo extremamente interessante sobre o nosso Studio, que tem muito a ver com o meu estilo particular. Eu sempre tive dois objetivos com os jogos no geral: a primeira era explorar os jogos como uma forma de contar histórias, pois dentro do “mundo de jogo” eu faço as regras, assim como quando mestrava RPG.

A segunda coisa que eu sempre quis com os jogos é democratização: sabemos que dificilmente teremos o acesso dos jogos de tabuleiro moderno às famílias mais carentes, dentro das faixas de preço que vem sendo praticados pelas editoras. Ao invés de reclamar que as editoras não faziam o que eu acreditava certo, eu decidi começar o Studio Teia de Jogos e aqui estamos hoje.

Unindo estas duas situações e conceitos, algumas das questões sobre os jogos que lancei com o Studio até o momento acabam ficando cada vez mais claras, como por exemplo, a quantidade enorme de lore que existe no Machina: Simulacro de Guerra, além de outros jogos, a nossa tendência a fazer textos falando dos jogos de forma mais romantizada, contando histórias sobre todos eles e ainda pela nossa total aplicação ao PNP como forma de publicação válida, coerente e necessária para um país como o nosso.

Nas minhas conversas com outros desenvolvedores, eu acabei percebendo que as referências, fontes e inspirações das pessoas acabam sendo tão variadas e fascinantes quanto às mecânicas e dinâmicas de jogo, sendo, muitas vezes, até mais importantes e determinantes do que elas para definir como será um jogo.

Com mais uma meta batida do nosso financiamento coletivo no Padrim, nós iremos cumprir a nossa promessa: passaremos a postar sobre game...

Um comentário:

  1. Interessante a sua postagem Jordan. Quem não sabe o que quer nunca vai chegar a lugar nenhum.

    Eu, por exemplo, faço jogos pra deixar uma contribuição positiva pro mundo, que não só entretenha mas também faça as pessoas refletirem sobre a realidade que nos rodeia. Para "tirar as pessoas da Matrix da idiotice", como já comentei antes naquela postagem na RPGames Brasil, imposta pelo sistema alienante da nossa sociedade.

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