Para quem você faz jogos?

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Um dia desses, em uma discussão com o querido Rodrigo Rego sobre upkeep, comentei que acreditava que existiam discussões mais importantes sobre o game design a serem feitas do que se um jogo deve ou não ter upkeep, como a necessidade que temos de adequar o nosso game design às possibilidades reais de produção totalmente nacional, além de produção em valores mais competitivos para o público não gamer.



Para não tirar o foco do post na época, deixamos o assunto de lado e eu prometi a ele que escreveria sobre isso. Bem aqui estou. Esta é a minha opinião sobre o que todos os designers deveriam estar preocupados.

Think globally, fuck locally?


Uma das maiores discussões que eu ando tendo com meus amigos game designers, inclusive donos de Studios e editoras, é sobre os rumos do nosso pequeno mercado.

É, ainda, um mercado pequeno, um nicho que é movimentado ela mesma “meia dúzia” de pessoas e que encontra uma série de questões para crescer efetivamente. Fora o fato de ser uma atividade lúdica coletiva, então uma unidade do produto pode atender até 4,6 pessoas ( quantas vezes você não deixou de comprar um jogo porque alguém do seu grupo usual o comprou?) ele ainda insiste em tentar reproduzir aqui modelos internacionais, que na minha opinião, não dão certo.

Não digo apenas na questão de que parece existir um movimento de resistência do mercado à crescer e a perder certos maneirismos que afastam uma quantidade considerável do público que poderia entrar em contato, mas também a concorrência enorme com o meio digital, os valores que são acima da realidade padrão da maioria dos brasileiros e mais ainda, muitas vezes parece que as melhores ideias são “valorizadas” com uma série de componentes que podem ser chamados de “perfumaria”, como não estamos dispostos a ofender ninguém.

Novamente, isso pode dar certo lá fora, mas não é o que eu acredito que deva ser um mercado nacional que englobe a quantidade de pessoas que deseja trabalhar com isso.

Realmente precisamos trabalhar apenas com componentes importados e fazer o público pagar o preço do dólar, das licenças, de todo o resto? E se este público está disposto a pagar por isso e faz ouvidos moucos para as iniciativas nacionais, usando produtos locais e tudo o mais, será que não está na hora de buscar novos públicos, novas formas tanto de produção quanto de design?

Para mim, todo o designer que realmente deseja ver o mercado nacional ser capaz de sustentar decentemente autores fazendo apenas isto, é indispensável pensarmos fora do nicho e levarmos jogos gateway para pessoas que ainda não os conhecem. Produções nacionais, de valor mais baixo e com tanta qualidade de design quanto os internacionais, mas produzidos dentro da nossa realidade.
E você? O que acha? Vem dizer o que você pensa!


Um dia desses, em uma discussão com o querido Rodrigo Rego sobre upkeep, comentei que acreditava que existiam discussões mais important...

2 comentários:

  1. Assino embaixo Jordan! Eu mesmo sou um defensor da produção manufatureira de jogos, investindo em formas de produzir com qualidade, baixa escala, usando fornecedores locais e usando materiais de baixo custo.

    Acho que a manufatura é o caminho para o mercado de jogos no Brasil, principalmente quando falamos de produção independente. Ela é a fase intermediária na história entre a produção industrial, extremamente cara para os padrões da maioria dos autores, e a produção artesanal, que infelizmente é vista com menosprezo por uma parcela considerável dos jogadores por aqui. Implementando poucos incrementos, é possível produzir jogos com uma qualidade aceitável por conta própria. Sem contar que acho importante procurar fornecedores locais sempre que possível, além de pesquisar sempre em busca de novos materiais e recursos para produção de peças para jogos.

    Esse é um assunto que eu tenho estudado bastante ultimamente. E pra quem se interesse, algumas opções interessantes de material alternativo para criação de peças de jogos são o mdf cortado à laser, a impressão em tecido e a serigrafia para personalização de peças, dados, etc. Mas quem tiver mais sugestões favor posta ae tb. Vlw.

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  2. Eu acho que tem lugar para todo tipo de abordagem! É a lei da oferta e da procura que vai dizer se o valor e o produto oferecido é compatível ou não com o mercado! Fico feliz em existirem aqueles que vão buscar lá fora um padrão de qualidade para ser espelhado e em existirem aqueles que buscam soluções de produção dentro de nosso país!

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